terça-feira, janeiro 09, 2007
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Viagem
Para a Cookie, com esperança
Por todos os sítios que passo procuro o traço que me possa levar a casa, procuro o lugar onde descarregar e abrir a alma, o conforto da luz acesa para mim. Poderás tu, com paciência, abrir-me e descobrir-me como as romãs, poderás tu abrir-me e descobrir-me como as coisas secretas e fechadas?
O meu coração é uma casa fechada, poderás encontrar-lhe a chave e morar nele? As minhas viagens têm o tamanho da minha solidão, procuro a familiaridade de um sítio onde pousar as minhas mágoas as minhas dores, qualquer coisa que me use o coração e o faça funcionar, qualquer coisa que o justifique. Procuro a casa onde descarregar as mágoas, a tua casa.
Poderás tu abrir-me os recantos secretos de romã, poderás tu abrir-me e explorar-me como os aventureiros às ilhas? Construo a minha vida na espera dessa chave, da tua chave. E viajo sempre a caminho de casa.
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quarta-feira, dezembro 06, 2006
Brief Encounter
Se eu pudesse voltar atrás até ti, se pudesse mudar maré de tempo e dor que nos afastou, quereria ir até ao momento em que começaste a afastar-te de mim, o momento exacto em que começaste a dizer-me o princípio deste longo, longuíssimo adeus. Diz-me, tu, nesse momento, como fizeste para desatar o amor? Como se faz para desamar, deixar o amor partir sem o segurar, sem o segurar cegamente, apesar de tudo?Se pudesse voltar a esse momento, ao preciso momento em que te afastavas de mim, olhar-te-ia mais longamente que o fiz então, o teu corpo amado de costas voltadas para mim, a afastar-te resolutamente, e para sempre, daquilo que tínhamos juntos. Talvez se me tivesse apercebido do definitivo de todas as coisas te teria dito adeus mais facilmente, com menos dor, enquanto o meu corpo guardava ainda o calor do teu, o cheiro do teu, a memória táctil da tua pele enquanto te amava ainda, livre de todas as dores. Talvez fosse mais fácil este longuíssimo adeus que te digo, com menos fios de dor e de raiva e de fúria para desatar e deixar cair.Diz-me, tu que te afastaste tão resolutamente, como fizeste para desatar os nossos laços, diz-me, onde começaste a dar-me o adeus que seria definitivo, em que ponto te começaste, lenta e seguramente a afastar de mim? Como fizeste para acabar assim o amor, fechá-lo como uma torneira, sem gotas que se arrastam?Se pudesse voltar atrás, aquele preciso momento em que estava ainda cheia de ti, de nós, dir-te-ia o adeus que o nosso amor merecia, sem choros, sem dores, não este monstro de silêncios e dúvidas que depois foi, não este buraco negro de ausência em que todas as coisas boa que tivemos se esgotaram e desapareceram.Tu que te afastaste tão seguramente, diz-me, como se acaba o amor, como se faz? Como se cortam os laços?
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terça-feira, novembro 21, 2006
The English Patient
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terça-feira, novembro 14, 2006
Recomeços
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quarta-feira, novembro 08, 2006
O sono das Erínias
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segunda-feira, outubro 30, 2006
Mad Hatter
Perdi, com o tempo e as esperas, a cabeça. Alterei os calendários e as horas para ser sempre horas de estar aqui, de estar contigo e apenas me restou as chávenas vazias e o fantasma do teu toque onde não estás mais.A minha vida toda como a Alice no chapeleiro, em círculos, pressentindo a tua presença, esperando-te. Nada acontecerá aqui, no país das maravilhas que é só onde estamos os dois, nada a não ser este teu vago sabor nos meus lábios, nos objectos que tocaste e eu toco depois de ti. Ah, poderás tu trazer-me deste tempo circular onde não estás nunca, poderás tu trazer-me para o presente deste lugar secreto onde estamos juntos, deste lugar secreto onde me escondo e que não existe?
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