segunda-feira, agosto 06, 2007
quarta-feira, julho 25, 2007
Ninguem será salvo. A casa continua a crescer e a expandir-se como um tumor, uma coisa má nas suas salas vazias e nas suas paredes altas, a pulsar como uma coisa viva nos corredores intermináveis de portas barradas. Ninguém foi salvo. A menina pequena corre pelas salas que não reconhece, corre pelas salas da casa monstruosa e devia conhecê-las. Está perdida. As palavras viciosas infestam as paredes, corroem os móveis e tudo se esfarela. Se as prendem por uma asa negra ou por pela cauda longa e maleável, agitam-se assustadas e suicidam-se, ferrando-se a si mesmas como os escorpiões cercados pelo fogo. É preciso deitar abaixo a casa que se expande, é preciso um tudo novo. A menina pequenina cresce pelos cantos, como a casa, sem nunca chorar nas salas desertas, pisa as palavras pelas asas escuras. Algo de grave acontecerá, ou a casa ruirá com estrépito, com as palavras a chiar esmagadas pelo peso de tudo que cai e ninguém será salvo.
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sexta-feira, julho 20, 2007
Chungking express
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sexta-feira, julho 06, 2007
Tântalo
Tento chegar ao fruto desejado, áquele pomo dourado de todas as promessas de felicidade perfeita e completa e lá não chego, nunca chego. Toda a vida defenida assim, a preto e sombra de todos os sítios onde não chego e tudo o que não tenho, a amargura de todos os quases que nunca são nada senão isto que parecem: sombras.
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terça-feira, junho 26, 2007
Penélope tecendo
Os dias definem-se na rotina previsível do acto de tecer, confortante e familiar de todos os gestos repetidos cem, mil vezes. Ulisses virá, um dia, depois de todos os gestos desfeitos de trama que se esbroa, depois de tantas rugas de tempo acumulado em tapeçaria e depois de tantos, tantos pensamentos presos na tapeçaria, demasiado vagos ou irrelevantes para se soltarem em palavra.
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segunda-feira, junho 11, 2007
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quarta-feira, junho 06, 2007
Abraço
O amor define-se no perímetro apertado de braços onde não tenho espaço, onde não é o meu lugar. Há abraços que ficam melhor como parecem: por dar.
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